História
Pequena África e Pedra do Sal
A história por trás da Pedra do Sal, na zona portuária do Rio: a Pequena África, o quilombo, o Cais do Valongo e as famílias baianas que moldaram o samba primitivo.
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A Pequena África, Little Africa em inglês, é a área da zona portuária do Rio de Janeiro em torno da Gamboa, Saúde e Santo Cristo, onde se instalaram famílias baianas e de ascendência africana. A Pedra do Sal é descrita como o seu núcleo simbólico. O vizinho Cais do Valongo, antigo local de desembarque de africanos escravizados, foi inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO em 2017.
Um nome para um bairro
A Wikipédia em português refere que o nome Pequena África foi dado pelo compositor de samba Heitor dos Prazeres a uma região da zona portuária do Rio. A área inclui a Gamboa, a Saúde e Santo Cristo, e a comunidade quilombola da Pedra do Sal. O RioOnWatch descreve a Pequena África como uma área na Região Portuária do Rio de Janeiro. O nome é uma memória de quem viveu e trabalhou ali: migrantes baianos, pessoas libertas e os seus descendentes, muitos deles empregados em torno do porto.
O sal, a pedra e o trabalho
A Wikipédia portuguesa diz que o sal que chegava ao porto era descarregado sobre a rocha e distribuído pelos armazéns próximos, e que a zona era um local onde se contratavam estivadores. A Wikipédia inglesa acrescenta que migrantes da Bahia se instalaram na Saúde, onde os preços eram baixos e o porto oferecia trabalho, e que o local, então chamado Pedra da Prainha, tinha um grande mercado de escravos. O nome Pedra do Sal vem da carga que por ela era transportada.
Um quilombo no porto
Um quilombo é uma comunidade fundada por pessoas que escaparam à escravatura ou foram libertadas, ou descendente dessas pessoas. O RioOnWatch relata que a comunidade da Pedra do Sal foi formalmente reconhecida como quilombo em dezembro de 2005, e uma associação da comunidade quilombola remanescente ainda aí vive. O RioOnWatch chama-lhe o bairro negro mais antigo do Rio com ocupação contínua. Para o visitante, isso significa que a rocha não é apenas um palco de música. Há pessoas a viver nas ruas em seu redor.
A classificação patrimonial
O INEPAC, instituto estadual de património do Rio, classificou a Pedra do Sal como monumento histórico e religioso em 1984, segundo a Wikipédia inglesa, e a imprensa brasileira repete a data de 1984. A classificação da UNESCO como Património Mundial pertence ao vizinho Cais do Valongo, inscrito em julho de 2017, e não à rocha em si. Os dois são frequentemente mencionados em conjunto por fazerem parte da mesma história da Pequena África, e um guia pode ligá-los durante a noite.
O Cais do Valongo
O Cais do Valongo foi um local de desembarque e comércio de africanos escravizados, segundo a Wikipédia, e o RioOnWatch chama-lhe aquilo que foi outrora o mercado de escravos mais ativo do Rio. O cais foi posteriormente coberto por construções e enterrado, e as obras ligadas à requalificação do porto voltaram a revelá-lo. Hoje, as pedras escavadas encontram-se numa praça rebaixada na zona portuária, e o sítio integra a lista do Património Mundial da UNESCO.
Casas, fé e música
A Wikipédia portuguesa descreve a Pequena África como repleta de casas coletivas de pessoas libertas. Tia Ciata, sacerdotisa de candomblé nascida na Bahia, recebia músicos em sua casa, e a Wikipédia inglesa descreve o seu lar como um ponto de encontro para a religião, a gastronomia, a dança e a música. A Wikipédia inglesa refere ainda Donga, João da Baiana, Pixinguinha e Heitor dos Prazeres entre os músicos que tocaram na Pedra do Sal, e chama à zona um centro de samba e choro.
Leia a seguir: Da Bahia ao Rio: as raízes do samba
Requalificação e memória
A RioOnWatch assinala que o projeto de requalificação do Porto Maravilha renovou partes da zona portuária e que as obras na área revelaram as camadas do Cais do Valongo. O artigo refere também que a história da área continua em grande parte desconhecida, apesar da requalificação. É uma das razões pelas quais uma noite guiada pode ser útil: coloca uma voz local ao lado de uma história que as fontes escritas descrevem como pouco conhecida.
A celebração do Valongo
Quando foi anunciada a decisão da UNESCO sobre o Cais do Valongo, realizou-se uma celebração no local, onde atuou o Afoxé Filhos de Gandhi. A fotografia mostra parte desse evento. É um lembrete de que a história contada em torno da Pedra do Sal continua a ser contada pelas comunidades que lhe estão ligadas.
Como a noite guiada utiliza esta história
O bilhete guiado promete a história do lugar e do samba a par da música, e apresenta a Pedra do Sal como parte da Pequena África. Um guia pode apontar a pedra, os murais e as ruas próximas, e contar a história do sal e do quilombo. Encare o que ouve como uma versão entre várias e leia uma ou duas fontes antes de ir.
Perguntas frequentes
O que significa Pequena África?
É o nome de uma zona portuária em torno da Gamboa, da Saúde e de Santo Cristo.
A Pedra do Sal é Património Mundial?
Não. A UNESCO inscreveu o Cais do Valongo, nas proximidades, em 2017. A Pedra do Sal foi classificada pelo INEPAC em 1984.
Porque se chama Pedra do Sal?
O sal que chegava ao porto era descarregado sobre a rocha, o que lhe deu o nome de Pedra do Sal.
Fontes